adicionar aos favoritos | São Paulo/SP

04/04/2008 09:43
Por Débora Tavares
Uma bicicleta passou por mim ontem, enquanto eu aguardava o semáforo. Transitava com velocidade pela calçada, desviando dos passantes. Um ciclista relâmpago, careca, de pernas tatuadas, carregava como um filho, o violão, nas costas.
Olhei-o por um segundo, surpresa, de dentro do carro. Era o Moacir, meu primeiro amor. Amor de infância que a timidez guarda para a vida toda.
Aos dez anos ele já cantava. Cantava para mim ao pé do ouvido, ao telefone, nas tardes depois da escola. Serenatas tímidas chegam pelos fios.
Ele era "rebelde" na escola e ontem entendi: o Moacir precisava voar. E foi tão bonito revê-lo, voando com a sua música, num pôr-do-sol de outono.
Foto: formatura da 4a. série: Prof. Vicente, eu, Moacir e Nanci