adicionar aos favoritos | São Paulo/SP

06/05/2008 09:21
Por Débora Tavares
Lia um livro dentro da rede e do edredon. Quatro da tarde, vento frio e paisagem de céu todo azul, na varanda. Rendi-me à luz daquele sol de inverno: os olhos fechados, os raios acendendo a pele do rosto, os raios ascendendo a leveza do corpo, num balanço. A alegria é assim quase sem motivo, de motivo grandioso. A alegria requer somente uma tímida rajada de sol para iluminar o dia.
Meu filho juntou-se a mim - rede estreita para o corpo, sempre extensa para o abraço. Brincava de compor canções, como fazia quando bem pequeno. Naquela época, trocava as letras das músicas e mantinha a melodia. Agora, já imagina melodias e palavras. Inventou uma canção sobre mim e me lembrou, ritmando: "minha mãe gosta de viver". Abraço e sol: eu gosto.
Arte: Van Gogh