adicionar aos favoritos | São Paulo/SP

14/11/2008 16:29
Por Débora Tavares
Foram 25 papéizinhos cuidadosamente dobrados. Não há adulto que não se renda a uma boa surpresa: espiaram os papéis com olhos de raio X lembrando transgressões de infância, colheram um papel e conheceram seu amigo-secreto. Um colega estaria mais próximo por um mês. Eu não cogitei um sorteio virtual - nem imaginava que existisse sorteio virtual. Preferi listar os nomes, recortar em tamanhos iguais, tatear os papéis.
Já havia separado em casa uma caixinha florida para o correio. Escreveríamos bilhetes anônimos com letras tortas, disfarçadas, canhotas ou, nestes tempos, imprimiríamos o bilhete-fonteArial 8 para facilitar o anonimato.
No entanto um colega, dois minutos após o sorteio, já havia criado um grupo virtual para troca de mensagens via site. Eu mencionei humildemente a caixinha. O olhar dele remeteu-me ao século passado. Não insisti. Guardei a caixinha com a culpa de não defendê-la.
Duas semanas depois e não me cadastrei no site: o cadastro exige endereço, cpf, telefone... Exige o meu raio X para embaralhar os papéis das mensagens virtuais. Não tive vontade.
Encontrei esta tarde uma parceira a favor da caixinha. Vamos trazer o correio florido na segunda-feira. Treinar a letra, vestir disfarces, imaginar presentes. Nós criaremos personagens e nos lembraremos do quanto isto é bom.